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Dogen Zenji: O Arquiteto da Presença
Tradições

Dogen Zenji: O Arquiteto da Presença

O Arquiteto da Presença

Introdução: O corpo e a mente são um só

Na linhagem dos mestres Zen, Dogen Zenji (1200–1253) ocupa um lugar singular. Se Bodhidharma trouxe o sopro do Chan para a China, Dogen insuflou no Japão um rigor e uma profundidade metafísica que fizeram do Zen muito mais do que um simples método de meditação: uma maneira de estar no mundo. Fundador da escola Soto, Dogen é o homem do "Zazen" puro, o homem que ensinou que a meditação não é um meio para alcançar a iluminação, mas a própria iluminação em ação.

Parte I: A busca pela Verdade Pura

O despertar precoce e a dúvida existencial Órfão muito jovem, Dogen foi atingido desde a infância pela fugacidade da vida. Ao assistir à cerimónia de cremação da sua mãe, ele percebeu profundamente a impermanência de todas as coisas. Este choque levou-o a fazer uma pergunta que o assombraria por toda a vida: «Se todos os seres são dotados da natureza de Buda, por que os mestres ainda procuram despertar através da prática?»

A peregrinação à China Aos 24 anos, insatisfeito com os ensinamentos japoneses do seu tempo, ele empreendeu a perigosa viagem para a China. Após várias desilusões com mestres que ele considerava demasiado apegados aos rituais, ele encontrou o mestre Rujing no mosteiro do Monte Tiantong. Foi lá, durante uma sessão noturna, que Dogen experimentou o "deixar ir do corpo e da mente" (shinjin datsuraku). Ele compreendeu que o despertar não é uma conquista, mas um despojamento.

Parte II: O ensinamento do Zazen puro

A prática é o despertar (Shusho-itto) A revolução de Dogen consiste em rejeitar a distinção entre a prática (meditação) e o despertar. Para ele, sentar-se em Zazen (meditação sentada) não é "trabalhar" para se tornar um Buda, é manifestar a sua natureza de Buda desde o momento presente. Esta abordagem, chamada Shikantaza («apenas sentar»), tornou-se a base da escola Soto.

A escrita como despertar Dogen registou a sua visão na sua obra monumental, o Shobogenzo (Tesouro do Olho do Verdadeiro Dharma). Este texto, de uma densidade filosófica sem precedentes, não é um manual teórico, mas uma ferramenta destinada a levar a mente do leitor para além das palavras. Nele, ele explora a vacuidade, o tempo (Uji - o ser-tempo) e a realidade do instante.

Parte III: Palavras do fundador (Trechos do Shobogenzo)

Para Dogen, cada momento é uma oportunidade de realização. Aqui estão alguns dos seus pensamentos mais perspicazes:

« Estudar o Caminho do Buda é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer a si mesmo. Esquecer a si mesmo é ser confirmado por todos os seres.»

« Não pensem que a prática leva à iluminação. A prática é a própria iluminação.»

« O Zazen não é a aprendizagem da concentração. O Zazen é a porta do Dharma que conduz à alegria, a prática-realização da totalidade do ser.»

« Se não encontram a verdade onde estão, onde esperam encontrá-la?»

Por que Dogen é um pilar para a Buddhachannel?

Dogen protege-nos da armadilha do objetivo. Num mundo de resultados e desempenho, ele lembra-nos que o valor de uma ação reside na sua pura realização, sem desejo de lucro ou reconhecimento. O seu ensinamento é um convite à nobreza da imobilidade.

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